Fiquei atónito - como muitas pessoas devem ter ficado - com as últimas declarações do papa Bento XVI, sobre o uso do preservativo como meio ( mais ou menos ) eficaz, contra a prevenção de se contrair o vírus da sida.
Segundo ele, 1 : "é uma tragédia que não pode ser superada com o dinheiro nem com a distribuição de preservativos" e que a prevenção adequada da Sida requer 2: "uma grande atenção e uma renovação moral no comportamento humano". Sou contra a afirmação 1 e parcialmente a favor da afirmação 2.
Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que a minha surpresa seria também grande se fosse outro qualquer "meco" a dizer tal barbaridade, mas neste caso, a coisa reveste-se de maior importância, vindo de quem vem.
Dados científicos fornecidos por fontes competentes demonstraram que, com o uso correto do preservativo, a possibilidade de contágio é de 30%. O preservativo ainda é uma arma decisiva para a prevenção do vírus da Sida. Mais uma vez se evidencia a responsabilidade não só moral, mas também directa, da Igreja Católica na falta de prevenção do HIV. Ainda mais irresponsável é dizer que o uso de preservativos aumenta ou em quase nada resolve o problema.
Evidentemente que numa sociedade em que a educação sexual de base dos nossos jovens deixa muito a desejar - e essa mesma educação sexual tem de ser preferencialmente iniciada desde cedo no seio da familia, sem tabus e de forma aberta , e também nas escolas, quando aplicavel - tem também de existir uma consciencialização das pessoas a nivel dos riscos de uma sexualidade que se deseja saudavel e não irresponsável.
Das duas uma: ou as pessoas que têm relações sexuais "itinerantes" começam a fazer testes ao HIV de 2 em 2 meses e trazem com elas o "certificado de qualidade" - mas para isto as análises ao sangue para detecção da maleita deveriam ser gratuitas , não falando do entupimento que os hospitais, centros de saúde e entidades competentes iriam sofrer com filas interminaveis de individuos para obterem o dito "certificado de qualidade" - ou então não vejo para já melhor "possivel prevenção" do que o uso correcto do preservativo.
Obviamente e repito, que tem de haver uma consciencialização e responsabilização social e moral de todos nós quanto a este problema e na forma de o abordarmos de forma séria e responsavel, mas daí a dizer o que o papa disse no ponto 1, acho que é um "espaço em branco" enorme que em nada ajuda ninguém, antes pelo contrário. Só revolta.






